Brasil
Professora registra boletim de ocorrência depois de tirar a roupa em protesto contra racismo em supermercado
Segundo a polícia, serão ouvidos testemunhas, gerentes e o segurança, que ainda não identificado

Publicado em 11/04/2023 11:34

Foto/Reprodução


Do G1 - A professora Isabel Oliveira, de 43 anos, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) às 15h desta segunda-feira (10) após ter dito ser perseguida por um segurança enquanto fazia compras no supermercado Atacadão no bairro Portão, em Curitiba, na sexta (7). Relembre o caso abaixo.

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O B.O. foi feito na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba. Isabel foi à delegacia acompanhada de uma advogada e representantes de movimentos negros.

Ela foi ouvida por uma delegada. Após o depoimento, a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar crime de racismo.

Segundo a polícia, serão ouvidos testemunhas, gerentes e o segurança, que ainda não identificado.

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A empresa afirmou que tem "tolerância zero com qualquer comportamento discriminatório" e que não "identificou indícios de abordagem indevida", se colocando à disposição de Isabel. Veja a nota completa abaixo.

Professora fez protesto em supermercado de Curitiba (PR) e alegou que foi alvo de racismo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Professora fez protesto em supermercado de Curitiba (PR) e alegou que foi alvo de racismo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Horas depois do acontecido, a professora voltou ao mercado e protestou contra o racismo ficando seminua e com a frase "sou uma ameaça" escrita no corpo.

"Entendo que a repercussão é fruto da ruptura com o silenciamento em que nós mantemos diante das violências que sofremos diariamente. Muitas pessoas pretas têm me agradecido por (de alguma forma) o meu ato ter feito ecoar o grito de cada uma delas", disse.

O que diz Isabel

Isabel relatou que foi até o estabelecimento para fazer compras para a Páscoa programada com a família. Em certo momento, contou ao g1, a professora começou a reparar que um segurança a seguia em todos os lugares que ela ia.

"Eu olhava pra ele, ele desviava o olhar. Num momento eu olhei pra ele e fiquei esperando pra ver o que ele ia fazer. Ele ficou desconfortável. Caminhei mais um pouco e ele continuou olhando", disse.

Em seguida, ela disse que foi conversar com o homem e perguntou se ela apresentava ameaça para a loja. Ele negou.

O que diz a empresa

Em nota, na sexta-feira (7), a empresa informou que não identificou indícios de abordagem indevida durante uma apuração interna da denúncia. Alegou, ainda, que se colocou à disposição de Isabel.

"Lamentamos que a cliente tenha se sentido da maneira relatada, o que, evidentemente, vai totalmente contra nossos objetivos. A empresa possui uma política de tolerância zero contra qualquer tipo de comportamento discriminatório ou abordagem inadequada", diz a nota.

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A empresa afirmou ainda na nota que realiza treinamento rotineiro com funcionários para que essas ações não aconteçam.

"Ressaltamos, ainda, que nosso modelo de prevenção tem como foco o acolhimento aos clientes, com diretrizes de inclusão e respeito que também são repassadas aos nossos colaboradores por meio de treinamentos intensos e frequentes", conclui.


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