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'Implorei para não me matar', diz mototaxista estuprada e torturada por passageiro dentro de motel
Os ferimentos deixados no rosto ainda são visíveis. Ela está com os dois olhos roxos, pontos no nariz e embaixo do olho esquerdo.

Publicado em 24/03/2023 11:52

Foto/Reprodução


"Pedi muito, em nome de Jesus, 'não me mata, não me mata, tenho meu filho para criar'. Só pensei no meu filho naquela hora. Implorei para não me matar. Ele me enforcando, falei que estava fazendo todas as vontades dele. Perguntei o que mais queria para me deixar viva".

O forte relato é da mototaxista, de 44 anos, espancada e estuprada por um passageiro no último sábado (17) em um motel de Rio Branco, capital do Acre. A vítima aceitou conversar com o g1 nesta quinta-feira (23) sem ser identificada.

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Os ferimentos deixados no rosto ainda são visíveis. Ela está com os dois olhos roxos, pontos no nariz e embaixo do olho esquerdo. Os machucados internos, aqueles que podem levar anos para ser curados e precisam de todo apoio e ajuda, ainda doem quando ela fala do crime.

suspeito foi preso preventivamente pelas equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no bairro Castelo Branco. Ele tem 37 anos, é desempregado e tem passagem pela polícia por furto e roubo, sendo que neste caso ele ainda passou a mão nas vítimas.

Durante o encontro com a equipe de g1, a vítima contou sobre os momentos de terror que passou com o criminoso, que duraram mais de 40 minutos. Muito abalada, a mototaxista ainda não sabe se vai conseguir voltar a trabalhar, disse que toma remédios para dormir e também vem recebendo ajuda de vários lugares do estado.

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"Meus amigos estão me dando assistência, fizeram arrecadação, vieram me visitar, estou recebendo forças deles e das minhas amigas do ponto e o pessoal da secretaria da Mulher também está me dando apoio. Desde o primeiro momento o pessoal me dá apoio, a viatura me levou na UPA, depois na maternidade. A gente se sente mais protegida, minhas amigas vieram aqui, me abraçaram e a gente se sente mais acolhida", conta.

Mototaxista não sabe ainda se vai conseguir voltar a trabalhar — Foto: Aline Nascimento/g1

Abordagem

 

A mulher trabalha como mototoxista há oito anos e, preferencialmente, durante o dia. Ela mora na região do Segundo Distrito com um filho autista, uma filha já adulta e uma neta. É ela quem mantém o sustento da família.

No sábado, ela relembra que o suspeito a abordou e perguntou quanto era a corrida até um motel da Via Chico Mendes. Ela diz não ter desconfiado de nada porque, costumeiramente, leva passageiros, sejam homens ou mulheres, até os motéis, eles descem na entrada do quarto, pagam a corrida e ela sai.

"Não imaginava que era um mau elemento. Ele não abordou na viagem, foi quando cheguei lá e parei a moto. Abordou na porta do quarto. Ele disse: 'fica quieta, faz o que eu mando, senão, vou te matar, te furar todinha'. Já me tremi e fiquei fazendo o que mandou. Não vi faca em momento nenhum, ele cutucou minhas costas, mas creio que foi com a mão dele. Mas, diante de uma ameaça de um homem daquele tamanho. Eu subi com ele para a suíte de cima", recorda.

Sessão de tortura: travesseiro para sufocá-la e amarrada

 

Mesmo imobilizada e sem demonstrar reações, a mototaxista diz que o suspeito primeiro tentou sufocá-la com o travesseiro. Ela resistiu e implorou para ele parar. Depois, o criminoso usou as mãos para tentar asfixiar a mulher.

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Quase sem forças, a vítima implorou novamente para ele parar, pediu pelo filho e o bandido parou. Não satisfeito, o homem passou, então, a dar socos e tapas na mototaxista.

"Do nada começou a me bater, bateu no meu nariz e comecei a não enxergar nada porque rapidinho inchou tudo. Saiu muito sangue, já tinha ensopado uma toalha colocando na cara (sic). Disse para parar de me matar, ele disse que ia me amarrar e era para eu ficar bem quietinha, senão me matava e ia descer. Me amarrou do jeito que eu estava, toda ensanguentada, no chão com as mãos e os pés para trás. Me amarrou com o lençol da cama, com a fronha do travesseiro tapou minha boca para eu não gritar", confirma.

Após a sessão de tortura e abuso, o criminoso ligou para a recepção do motel e, fingindo ser mototaxista, perguntou se podia sair do quarto e depois retornar. No chão, a vítima ouviu quando a recepcionista disse que ele tinha que pagar metade da conta e ele respondeu que 'a moça ia pagar'.

Liberado para sair, o bandido pegou o colete da mototaxista, o celular e uma quantia em dinheiro que havia no bolso da calça dela. Ele desceu, pegou a motocicleta e saiu pela entrada do motel, na contramão.

Vítima ficou com o olho roxo e marcas da no queixo  — Foto: Aline Nascimento/g1

Do G1


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