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Grupos com ligação com PCC usam de lojas a igrejas para lavagem de dinheiro no RN

Publicado em 03/09/2024 06:38

Foto/Reproducao


Tribuna do Norte - Grupos criminosos ligados ao PCC no Rio Grande do Norte têm usado uma série de artifícios para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas, como tráfico de drogas.

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Empresas de fachada, lojas de carros, fazendas e até a abertura de igrejas evangélicas estão entre os mecanismos utilizados para disfarçar a origem dos recursos financeiros.

As investigações revelam que o PCC chegou a contratar profissionais especializados em lavagem de dinheiro para gerir o caixa dessas operações.

Segundo denúncias obtidas pelo jornal local Tribuna do Norte, uma das tentativas de lavagem identificadas pela polícia envolveu a movimentação de R$ 23 milhões. Investigações coordenadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) resultaram no bloqueio judicial de R$ 14,7 milhões em bens e valores pertencentes a grupos associados ao PCC.

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Esse tipo de atividade não se restringe ao RN e é observado em várias regiões do Brasil. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou que o PCC controla 1.100 postos de gasolina e está adquirindo usinas de etanol no país, o que reforça o desafio de combater a expansão das facções no setor de combustíveis.

Já no RN, a lavagem de dinheiro pelo PCC tem como principal objetivo ocultar a origem ilícita dos recursos, mascarando o caminho do dinheiro para dificultar a ação das autoridades. Além disso, a prática protege os ativos do grupo contra confisco pelas forças de segurança. Entre as técnicas mais usadas estão a estruturação, que consiste em dividir grandes somas de dinheiro em transações menores, e a criação de empresas de fachada.

De acordo com Francisco Augusto Cruz, especialista em Segurança Pública e pesquisador do IFRN e da UAB, o sucesso do PCC na lavagem de dinheiro é facilitado por uma rede de contatos bem estabelecida, incluindo colaboradores que ajudam a movimentar os recursos por diferentes canais. A corrupção também desempenha um papel crucial, permitindo que funcionários públicos corrompidos forneçam proteção e facilitem a ocultação das atividades financeiras ilícitas.

Para combater esse tipo de crime, o MPRN criou em 2021 o Núcleo de Informações Patrimoniais (NIP), com o objetivo aprimorar as investigações de lavagem de dinheiro no Estado, especialmente aquelas ligadas ao crime organizado. O NIP já avaliou R$ 1,4 bilhão e conseguiu o bloqueio de R$ 34 milhões em ativos provenientes de atividades criminosas.

Entre as operações mais significativas está a Operação Plata, deflagrada em fevereiro de 2023, que identificou a lavagem de R$ 23 milhões por meio da aquisição de imóveis e fracionamento de depósitos não identificados. Os criminosos utilizavam CNPJs falsos, empresas de fachada e igrejas para dissimular os recursos ilícitos. Um dos investigados, apontado como lavador de dinheiro profissional, chegou a comprar um imóvel em Ponta Negra avaliado em R$ 500 mil, mesmo declarando rendimentos anuais de apenas R$ 19 mil.

Outro exemplo é a Operação Omertà II, que investiga uma organização criminosa na cidade de João Dias, no Alto Oeste potiguar. O grupo utilizava uma loja de carros como fachada para lavar pelo menos R$ 6 milhões em dois anos. A concessionária, localizada em Água Nova, uma cidade de apenas 3.500 habitantes, possuía apenas um veículo registrado, mas movimentava grandes quantias de dinheiro por meio de depósitos fracionados.

*Com informações da Tribuna do Norte

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