“Fiz uma consulta no site da prefeitura do município, emitindo o ‘espelho do imóvel’, que confirmou ter uma casa (área edificada) com 69,98m², num terreno de 576,22m², confirmando as informações apresentadas pela CEF”, afirmou Antônio em relato escrito. “Logo, decidi por realizar mais uma visita, sem contato com os ocupantes deste. Me deparei com a placa de endereçamento, onde descrevia: Quadra 65 Conjunto A, Lote 6, Setor 12”.
Antônio diz que o imóvel estava isolado por dois lotes vazios. Com o auxílio do Google Earth, ele percebeu que havia uma casa no lote vizinho em 2012, mas que foi demolida em 2016. Confrontando com a certidão do imóvel arrematado, pôde constatar que ali havia uma edificação quando ocorreu a aquisição por outra pessoa. A casa foi demolida antes da consolidação da propriedade pela CEF, ocorrida em 2017.
Após o pagamento das taxas cartoriais e de financiamento, o casal realizou a visita para solicitar a desocupação do imóvel.
Foi então que eles se depararam com o atual morador, um mecânico, alegando que a casa pertencia à sua mãe e que o imóvel do leilão seria o lote ao lado, sem a casa.

Segundo relato do mecânico, o dono do lote ao lado teria demolido a moradia com o propósito de construir outra, mas abandonou a ideia logo em seguida. Ele alegou também que já havia recebido visitas em sua residência, de outros corretores credenciados e engenheiros da Caixa, para fazer vistoria. Nessas ocasiões, sempre enfatizava que o imóvel retomado pela CEF não se tratava do seu lote.
“Ou seja: a CEF retomou o imóvel, realizou dois leilões, lançou no ‘venda on-line’, realizou a ‘Avaliação de Bens Recebidos em Garantia’ informando como se ainda continuasse tendo a casa”, afirma o técnico de informática. “Vale frisar também que paguei a ‘Avaliação de Bens Recebidos em Garantia’, o ITBI, IPTU 2020, a primeira prestação do imóvel e prêmios de seguros, tudo em cima de uma casa que não existe mais há cinco anos”.
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Além do prejuízo financeiro, o casal relata um grande desgaste emocional com a situação. “A qualquer hora teremos que sair da casa onde moramos de aluguel, que será vendida”, desabafa. “Pagamos tudo por uma casa que não existe. Depois que a Caixa assumiu que o local estava vazio, disse que poderia devolver apenas o que foi pago para ela. No entanto, tivemos muitos outros gastos, como, por exemplo, o serviço do engenheiro”.
“É uma situação atípica e absurda, inclusive pelo descaso com que a Caixa vem tratando seus clientes. É uma coisa que você não espera passar. Faz o financiamento numa instituição de confiança, e ela te vende uma casa que não existe e ainda te trata com desdém”, declara a advogada Marília Crisóstomo, que representa o casal na Justiça.
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O outro lado
Em resposta, a Caixa confirmou que foi identificado que o imóvel avaliado não correspondia àquele registrado na matrícula.
“O banco ressalta que, desde a identificação da divergência, em agosto de 2020, o cliente foi informado em diferentes oportunidades da possibilidade de distrato da operação de crédito com a previsão de ressarcimento de todos os custos com correção monetária, inclusive despesas junto à prefeitura e/ou cartório, desde que apresentados à Caixa os comprovantes de pagamento”, completou o banco.
A instituição bancária reforçou que continua à disposição para os procedimentos de distrato, com a devida devolução dos valores arcados pelo cliente.
Metrópoles